A introdução da impressão digital de rótulos nos convertedores

A introdução da impressão digital de rótulos nos convertedores

A impressão digital é uma realidade em todos os segmentos da impressão. As companhias inovadoras já enxergam e investem nesta tecnologia com o pensamento de agregar mais opções ao seu portfólio de soluções e assim atender seus clientes em sua totalidade e ainda alcançar novos mercados.

No mercado de rótulos, este exemplo é claro. Há convertedoras que já perceberam que a produção de baixas tiragens de rótulos em impressão digital pode ser a chave para ser mais eficiente e lucrativo. Sobre o assunto, conversamos com os executivos Ronaldo Arakaki, Diretor & COO da Konica Minolta Business Solutions do Brasil, e Luciano Cazemiro, especialista em impressão industrial da Konica Minolta.

Confira os principais tópicos citados pelos entrevistados:

A força das embalagens e rótulos

Luciano Cazemiro:

“O mercado de embalagem e rótulo está entre os que mais crescem da área gráfica, segundo o Instituto de Pesquisa de Marketing Smithers Pira dos Estados Unidos. As pesquisas indicam um crescimento em média mundial de 5% ao ano no total de impressão de rótulos e isso não é diferente no Brasil. Além disso, as estimativas da indústria indicam que, embora a impressão digital de etiquetas autoadesivas seja atualmente apenas cerca de 3 a 5% de todo o volume de impressão, ela representa em volume de negócios de 15% a 18% de todos os trabalhos.

Outro dado, levantado em 2015, aponta que as instalações anuais de impressoras digitais de etiquetas representam quase 30% de todas as instalações no mundo inteiro. Em números, isso equivale a mais de 3.000 instalações em todo o mundo, e a estimativa é passar para 40% anualmente no que tange a todas as instalações de sistemas de produção de etiquetas até 2020."

O diferencial do digital na produção de rótulos

Luciano Cazemiro:

“Com o digital, é possível minimizar desperdícios, acelerar o tempo de resposta com clientes, ter informações continuamente atualizadas, além de reduzir o prazo de entrega. E estas informações estão mais claras atualmente para os convertedores.

Acredito que o mercado de flexografia está passando pela mesma transformação que o mercado de gráfica plana já passou; ou seja, no contexto geral, já se tem uma experiência prática dessa transição e que pode servir de exemplo, com a tecnologia digital surgindo como opção viável e rentável para métodos de produção convencionais. Dessa forma, se torna mais fácil transmitir os benefícios para o mercado de flexo.

Isso é algo positivo tanto para o fabricante, quanto para o convertedor, já que este tem mais acesso a informações que mostram a facilidade de se trabalhar com o digital com base em experiências de outros mercados. A única questão que ainda representa uma resistência por parte do convertedor no que tange a ‘virar a chave’ para o digital é a falta de conhecimento e clareza sobre como esses benefícios se concretizarão na prática para o negócio dele. Isto é, na linha de produção, qual será o ganho real!

Ele já sabe que o equipamento digital é estável, tem menos desperdícios; mas também quer saber aonde poderá atuar no mercado com a tecnologia, como explicará para os clientes os benefícios da impressão digital.”

Além da baixa tiragem

Luciano Cazemiro:

“Falando de tecnologia, hoje o mercado de flexo entende que o digital tem como grande vantagem a baixa tiragem, já que não tem o setup. Além disso, pode trabalhar com dados variáveis. Mas, conversando com nossos clientes, percebemos que eles notam e destacam outras vantagens. Por exemplo, o pouco espaço que o equipamento ocupa, eliminação da necessidade de armazenamento de tintas, custo total de operação menor, a empresa fica mais limpa por causa da máquina digital etc.

A gente estuda o mercado e, dentro do segmento flexo, os fabricantes de equipamentos convencionais estão correndo atrás desse prejuízo e tentando enfrentar a concorrência do digital, sobretudo, no que se refere ao principal calcanhar de Aquiles do equipamento convencional, que é o setup de máquina.

Os fabricantes estão tentando diminuir o processo de preparação de máquina para não deixar que o digital pegue essa fatia do mercado. E quem já percebeu isso está fazendo parceria com fabricantes de impressão digital para ofertar soluções, oferecendo máquinas convencionais para grandes tiragens e também a opção de se produzir em digital.

Quem são os compradores?

Ronaldo Arakaki:

“Lançamos há dois anos nosso equipamento para atuar nesse segmento. E, nesse meio tempo, já conseguimos um número expressivo de máquinas colocadas, a maioria, entre convertedores flexo tradicionais que estão vendo as oportunidades do digital e estão usando esses recursos para atender com mais eficiência seus clientes que demandam tiragens menores, mas querem qualidade. Mas temos alguns cases de clientes de gráficas planas também.

Como dito, há pesquisas que comprovam que o mercado de rótulos é um dos que mais cresce dentro da indústria e estas solicitações chegam também para as gráficas planas, que enxergam essa possibilidade.

Para o gráfico, dentro do processo offset com que ele trabalha, fica inviável entrar em flexo. Então, ele prefere conhecer novas soluções digitais para atender essas demandas, pois a curva de aprendizado é menor e o processo é bem mais simples do que o da flexografia convencional, que possui inúmeras etapas e variáveis.”

Quais são os clientes finais que utilizam os rótulos da impressão digital?

Ronaldo Arakaki:

“Entre os clientes finais, notamos um grande número de empresas que estão lançando seus próprios produtos, sejam elas no segmento de bebidas, alimentício ou cosmético.

É o caso, por exemplo, da cervejaria artesanal, que faz um lote com um tipo de arte diferenciada, o qual não é possível de produzir no analógico devido ao custo. Há, ainda, empresas vendendo muito para pequenos produtores de vinho e de cerveja em tiragens que, nos processos convencionais, tornam-se impensáveis.

Também é importante pensar em vender label por e-commerce, pois muitos pedem tudo online, através de ferramentas web-to-print.”

Luciano Cazemiro:

“Por mais que se tenha uma solução convencional que vai produzir grandes tiragens, há um detalhe importante que recai sobre o cliente final: a nossa legislação, que, constantemente, passa por mudanças. Se a legislação mudou, e tem que fazer mudança em um selo, por exemplo, o cliente vai perder todo o rótulo armazenado. Então, os clientes estão se precavendo e os convertedores também.

Outro ponto importante que deve ficar claro se refere ao custo de impressão. Vejamos: quando a gente fala em relação ao custo de impressão analógico x digital, o custo do digital vai ser maior dependendo da tiragem. Mas, retomando o exemplo acima, com essas mudanças repentinas dentro da produção de rótulos, eles preferem fazer tiragens menores just-in-time. São ‘grandes tiragens’, mas em pequenos lotes, sob demanda. Estamos vendo muito isso, inclusive nos grandes fabricantes de produtos.”

Como vender as baixas tiragens?

Ronaldo Arakaki:

“Oferecemos segurança de pré e pós-venda. Se o cliente tiver dificuldades em como vender os rótulos aos seus clientes, a Konica Minolta oferece esse suporte, inclusive, se necessário, indo ao cliente final (cliente de nosso cliente) para detalhar o que ele pode ser oferecido. Isso acontece porque, muitas vezes, o dono de marca está acostumado aos processos convencionais e conhece pouco a tecnologia digital; ou, ainda, tem receio em questão de qualidade. Porém, o que destacamos é que o método de impressão representa apenas ferramentas para produzir o que o cliente precisa; uma vez que o equipamento oferece qualidade e estabilidade, cabe ao convertedor decidir onde imprimirá. E, se ele tem dificuldade sobre como ofertar isso ao cliente, a Konica Minolta pode colaborar.

Também oferecemos capacitação completa de operação, com treinamento para que o cliente extraia o melhor do equipamento. E, claro, treinar a equipe técnica e de vendas, porque a partir da impressão digital nosso cliente terá um leque maior de produtos para oferecer.”

Modelo de negócio diferenciado

Ronaldo Arakaki:

“Atuamos com a cobrança por clique que embute todos os custos de operação e suporte, isto é, peça, consumível e serviço. O convertedor paga um valor fixo por metro linear por mês e tem segurança de que todo risco de cobertura ou quebra de máquina é da Konica Minolta. Isso quebrou paradigma de quem nunca tinha trabalhado com digital e tinha medo de investir.

Normalmente, o mercado costuma achar que o digital tem muita peça. Mas, com nosso modelo de negócio, o cliente não precisa se preocupar; só tem que imprimir. Toner, peças e serviços técnicos estão inclusos dentro desse pacote. Muitos fornecedores não adotam essa modalidade porque é arriscado. Mas, pela experiência de anos no digital, temos a segurança de que o que a gente cobra é bom tanto para o convertedor, como para a gente, além de diminuir o medo e incertezas de se investir em digital devido ao fato de nunca se saber o real custo de operação do equipamento. No convencional, o empresário sabe todos os valores e custos, mas no digital não. Quando a empresa oferece essa segurança, ele faz suas previsões e margem de venda do produto, tornando uma conta simples e segura.”

Trabalho pré e pós na impressão digital de rótulos

Luciano Cazemiro:

“São dois pontos cruciais em nosso negócio: pré-impressão e acabamento.

Em pré-impressão, temos um facilitador que é o software de imposição que realiza a montagem dos trabalhos automaticamente. No caso de rótulos e etiquetas, esse tipo de aplicação é crucial, pois representa a melhor forma de distribuir um layout de rótulo, por exemplo, na área de impressão como otimizar o ganho de papel e minimizar o desperdício.

No que se refere ao acabamento, há uma quebra de paradigma. Nos processos convencionais, o convertedor nunca se preocupou com o acabamento, porque lá é tudo inline pelas grandes tiragens. A bobina já sai pronta. No processo digital, existe essa mesma forma para as máquinas híbridas que vão trabalhar com alta produtividade. Mas, no caso de se produzir pequenas e médias tiragens em um equipamento rolo a rolo, como é o caso de nossa impressora, entendemos que o processo offline de finalização é mais interessante porque, enquanto está imprimindo, o convertedor já pode resolver a parte de acabamento do outro trabalho que está pronto e não precisa parar o equipamento, tornando-se assim mais produtivo.

Quanto ao acabamento especial, depende da segmentação. Se você analisar o mercado de bebida e cosmético, usa-se muito o enobrecimento. Nesse caso, dependendo do tipo de rótulo, o convertedor deve fazer uma análise se compensa imprimir no digital ou no convencional, se aquele produto realmente precisa do enobrecimento e se, assim, o processo será de fato lucrativo.”

Equipamento Konica Minolta e projetos futuros

Luciano Cazemiro:

“A AccurioLabel 190 tem a vantagem de não precisar de pré ou pós-tratamento nas mídias, nas matérias-primas. Isso é um facilitador para o convertedor, pois ele pode trabalhar com um único estoque, isto é, o material que usa no convencional vai usar no digital.

Em termos de estratégia, o plano é seguir a estratégia de sucesso com a AccurioLabel 190 e prosseguir a cada dia aprimorando o serviço ao cliente, desde o tempo de atendimento até a solução do problema.

Vamos lançar um novo showroom na capital paulista para simular um ambiente de gráfica e o equipamento estará lá. Nesse ambiente, os clientes poderão simular um ambiente de produção real - então, se acontecer de o equipamento do cliente ficar parado, ele pode produzir no showroom e a gente entrega o produto.”

Luciano Cazemiro, especialista em impressão industrial da Konica Minolta

 

 

Ronaldo Arakaki, Diretor & COO da Konica Minolta Business Solutions do Brasil