Terceiro dia do Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica apresenta novos conceitos

Terceiro dia do Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica apresenta novos conceitos

A 4ª edição do Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica teve seu encerramento nesta quinta-feira. Foram três dias de material de alto valor aos participantes, que acompanharam especialistas de diferentes pontos do mundo falando da importância do empresário entender que os conceitos de sustentabilidade precisam ser aplicados em sua empresa e podem ser integrados com o pensamento eficiente em gestão, inovação e implementação de novas tecnologias.

O terceiro dia do Congresso, que neste ano foi 100% online, teve início com o consultor Fabio Carucci Figliolino mostrando como preparar a empresa para uma cultura de inovação. Ele destacou que o processo de inovação é estratégia corporativa, que pode ser alcançada pela implantação de estratégia tecnológica, que possui várias fases.

Na estratégia tecnológica, tudo começa com a prospeção tecnológica, passando pela seleção das ideias, por desenvolver o projeto e depois fazer o lançamento e mensurar resultados. Acima dos conceitos, a estratégia corporativa é construída por líderes, que tem como principal função proteger as mudanças estruturais para buscar a inovação.

A empresa que possui uma cultura de inovação possui direção e consegue guiar os próximos caminhos de Pesquisa & Desenvolvimento para focar essa inovação. O trabalho de inovação é de risco e precisa ser bem direcionado, e em alguns casos acaba indo para caminhos que não vão a lugar algum. Nesse momento, é hora de redefinir a rota.

A prospeção tecnológica leva a sugestões de como atuar no futuro. É momento de ver novas tecnologias, o que está sendo feito no mercado, o que o concorrente está adquirindo. É trazer para dentro da organização diversas sugestões e ideias do que fazer visando o futuro. Ela ajuda a reduzir ameaças e incertezas e descobrir as oportunidades.

Um conselho passado por Fábio é a empresa ter seu roadmap tecnológico, algo importante para traçar cada etapa: qual mercado quero atingir, quais produtos vou lançar para esse mercado, quais tecnologias vão construir os produtos, quais programas P&D vão moldar essa tecnologia. Tudo isso vai nos mostrar onde estamos, onde queremos ir e como chegar lá.

Com todo esse pensamento feito, é preciso selecionar quais ideias levantadas eu vou investir mais recursos a partir de agora. A gestão de portfólio de projetos mostra a maneira mais fácil de alocar os recursos para atingir os objetivos.

E como selecionar esse projeto? Pode-se fazer em três eixos principais: maximização do valor (a expectativa de valor comercial do projeto), balanceamento dentro do pensamento e estrutura da empresa e com o alinhamento estratégico, fazendo uma avaliação se todos esses projetos estão de acordo com as diretrizes da corporação.

Ao desenvolver o projeto, é preciso seguir fazendo um acompanhando e até “matando” projetos se necessário. A inovação precisa ser sempre aberta, com pessoas colaborando dentro de uma rede de valor. Esse desenvolvimento será importante também para você saber se o que você está desenvolvendo será relevante.

O momento atual, inclusive, é de desafios e oportunidades. Há queda de demanda por alguns projetos, mas ao mesmo tempo há demandas socioambientais que puxam o consumo de produtos sustentáveis. Carucci diz que é a oportunidade de buscar novas alternativas, criar produtos e materiais. Ele relata que isso vem acontecendo com novos tipos de embalagem, nas embalagens por ecommerce, em canudo biodegradável, copos sem polietileno, garrafas de papel, entre outros.

Digitalizando pequenas e médias empresas

O consultor alemão Ulrich Wolzenburg começou sua apresentação deixando claro: digitalização é muito mais que automação. Ela também está relacionada a dados e ferramentas digitais, padronização, gerenciamento da cadeia de suprimentos, comunicação digital e muitos outros tópicos.

A digitalização tem relação direta com o aprimoramento da comunicação e há três segmentos em que a comunicação impacta: a primeira é a tecnologia, desde os computadores e smartphones até os equipamentos dentro da fábrica; a segunda é nas pessoas, a força de trabalho e suas ocupações individuais; já a terceira é a estrutura, a gestão da empresa.

Na tecnologia, a digitalização influencia diretamente o que vamos usar nas empresas, com uso cada vez maior de tecnologias da informação, com mudanças na relação entre humano e maquinário. É o caso do aumento da conexão entre pessoas e seus smartphones. Pensando nas pessoas, há novos tipos e métodos de trabalho e assim novas qualificações são necessárias. E na organização é possível ver processos otimizados e uma mudança no estilo da liderança.

Com isso, pode-se dizer que a digitalização é um conceito para usar diferentes tecnologias de forma racional com o foco de mudar o modelo de negócio e prover novas oportunidades de receita. O modelo baseado em produto muda para o modelo baseado em negócio. É o caso do Uber, por exemplo, que basicamente não possui carros, e sim o serviço de transporte.

Nessa abordagem de modelo de negócio você precisa pensar: quem você serve? O que você oferece? Qual é sua proposta de valor? Como essa proposta é criada? Como é criada a receita para a empresa? São perguntas essenciais para você conseguir se posicionar de maneira mais assertiva e eficiente.

E qual o efeito desse novo mundo da digitalização nas gráficas? O estilo de trabalho vai mudar. Ainda não é possível precisar quais são essas mudanças exatamente, mas já há um aumento da colaboração, diminuição das distâncias e o uso aumentado da inteligência artificial. Os colaboradores vêm precisando se adaptar a novos trabalhos e novas funções.

E para a gestão da empresa, é preciso compreender seu modelo de negócio, identificar tendências e desenvolvimentos tecnológicos de forma antecipada e avaliar se essas tendências terão consequências para sua empresa.

Ulrich diz ter notado que falta estratégia nos projetos de implementação de digitalização. Primeiro é preciso que o projeto seja sustentável, analisando estratégia, os fatores internos e externos, olhar a situação atual e ter objetivos bem focados e alcançáveis.

Outro desafio é como implementar novas competências. É difícil, quando falamos na implementação da digitalização, decidir se vai treinar alguém interno ou se abre uma nova posição. Isso vai depender da companhia e do staff. O mundo do trabalho está mudando e vai chegar um momento que você precisará de certos especialistas em sua empresa, especialmente em big data e inteligência artificial.

O especialista reforçou: siga estudando, aprendendo e conectado. Estar atualizado em tudo que ocorre ao seu redor é essencial para manter-se competitivo e inovador. Esteja preparado para mudar, se necessário, suas estruturas organizacionais. E o importante: a transformação digital é um processo contínuo.

Ulrich finalizou falando da diferença entre o crescimento pela evolução e pela revolução. No evolutivo, é desenvolver os modelos existentes, o que você já tem, encontrando o nicho dentro do seu mercado. E na revolução, é você inserir um novo modelo de negócio dentro do seu processo produtivo.

Impressão funcional e sustentabilidade

Os professores portugueses Elvira Fortunato e Rodrigo Martins trataram de Eletrônica Verde: tecnologia para um futuro sustentável. Elvira, indicada ao Prêmio Nobel de Física, iniciou mostrando as instalações dos laboratórios onde eles atuam em Lisboa, Portugal.

No laboratório, há duas filosofias: materiais verdes e tecnologias verdes, usando materiais abundantes não tóxicos, e processos simples e de baixa energia. Elvira relatou que a eletrônica alternativa é necessária pois estamos rodeados de lixo eletrônico, com alto custo de reciclagem. E as grandes nações estão exportando o lixo eletrônico para a África e Ásia.

E queremos que isso mude. Hoje, o papel pode ser usado de diferentes formas. Há uma mudança do uso do papel e cartão como conhecemos, diminuindo no papel de escrita e aumentando na área de embalagens.

O time de Elvira trabalha com a eletrônica em papel, e por quê? A celulose foi escolhida porque é o biopolímero amigo do ambiente mais abundante, flexível e inquebrável, de baixo, custo, leve, com uma produção bem estabelecida, com boas propriedades dielétricas, presente no mundo todo e é reciclável.

Em 2008, foi feito pelo time de Elvira e Rodrigo o transistor de película fina, com papel, ou seja, o Paper-e. Eles foram os primeiros a produzirem os transistor de papel. A celulose está sendo desenvolvida em estudos também através de bactérias do vinagre e muitos produtos foram desenvolvidos. Recentemente, foi feito o primeiro transistor de celulose bacteriana.

O professor Rodrigo Martins falou do objetivo de usar elementos presentes em abundância na natureza e que sejam recicláveis. Outro projeto foi usar o papel para gerar células solares, inclusive de papel bacteriano. Martins mostrou durante o Congresso uma sequência de projetos feitos ao redor do mundo sobre eletrônica verde.

Há desafios e oportunidades nessa área. Olhando para o envelhecimento da população, para as questões de água e alimentos, o objetivo é ter o papel como um enorme aliado, pesquisando suas diferentes funções e aplicações para apoiar a sociedade.

Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica

Carlos Suriani, presidente da ABTG, fez o encerramento do evento agradecendo todos os palestrantes, equipes técnicas envolvidas tanto da ABTG como da APS, que atuou na organização da iniciativa e na operação da plataforma de transmissão do evento através da Live Business APS. A quinta edição do Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica foi anunciado por Suriani para agosto de 2021, com a expectativa de ser a primeira edição híbrida: física e digital.

O Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica é uma parceria ABTG (Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica) e APS Eventos Corporativos. O Patrocínio Institucional da quarta edição foi de Afeigraf, Fedrigoni e Papirus. O Patrocínio Gold foi da Valid. Informações sobre a iniciativa em: www.congressotecnologiagrafica.com.br.