Segundo dia de Congresso trata de tecnologia e sustentabilidade

Segundo dia de Congresso trata de tecnologia e sustentabilidade

O 4º Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica contou em segundo dia com uma variedade de tópicos. Markus Heering, diretor da VDMA, mostrou o panorama presente e futuro da indústria. No painel “Sustentabilidade no futuro da indústria gráfica”, a jornalista Tânia Galluzzi recebeu para debater sustentabilidade Wilson Andrade Paduan, da Antilhas, e Jose Alberto Peredo Arenas, do Grupo Boticário. Para encerrar, Dr. Rainer Prosi, da Alemanha, falou sobre especificações de arquivo.

Markus Heering, diretor da VDMA, abriu o dia de palestras com um panorama sobre a indústria de impressão. Nos últimos 20 anos, temos visto uma mudança do que é a impressão. A informação impressa era aceita sempre como uma informação neutra e correta. Por volta de 2000 a 2005, a mídia eletrônica aumentou sua importância e houve essa mudança de paradigma.

A indústria gráfica passou a ser vista como antiga e que não há mais necessidade para imprimir, e que tudo que pode ser digital deve ser digital. Por mais que todos usem, poucos reconhecem o valor da impressão. E poucos, na visão de Heering, “defendem” a indústria gráfica desses argumentos, mesmo com sua enorme importância para a sociedade.

A indústria também vem sendo fragmentada, em diferentes processos e procedimentos. Os processos mais “manuais” vêm sendo transformados a um processo mais digital. Isso vem acontecendo há tempos, mas é um processo contínuo e que deve seguir pelos próximos anos.

Heering falou da situação das gráficas. Mesmo com entidades como Senai e outras pelo mundo, ainda falta qualificação. E poucas gráficas vêm usando o máximo das tecnologias automatizadas. E se a indústria que ser vista como modelo, é essencial o investimento em qualificação. Heering vê isso como um problema global.

Outro ponto essencial é desenvolver seus modelos de negócio, ter saídas e não ficar preso a poucos clientes ou a pensamentos antiquados. Em resumo, profissionalizar a gráfica, automatizar os processos e fazer os investimentos em tecnologia. As gráficas precisam olhar para fora de seu negócio e buscar inspiração, mudar conceitos.

No olhar dos fabricantes de soluções, a capacidade de cada máquina atualmente é tão grande que você pode substituir algumas antigas por apenas uma nova com a mesma ou melhor capacidade de produção. Um exemplo de uma tecnologia crescente, por exemplo, é a flexografia, por conta de seus novos recursos e capacidades.

Em impressão de embalagens, há avanços em tecnologias e as mudanças no comportamento do consumidor vão continuar tendo profundos impactos sobre a indústria de impressão de embalagem. A impressão digital terá o seu papel para aqueles clientes que precisavam de uma maior diversificação de embalagens.

A impressão 3D já vem sendo usada nas embalagens durante as fases de desenvolvimento e concepção. Os equipamentos, como de impressão e acabamento, estão cada vez mais conectados. Os donos de marca e impressores de embalagem vão incorporar as embalagens inteligentes dentro de seu portfólio de produtos. E, por fim, o uso de tecnologia de marca e codificação, como RFID, será ampliado.

Os grandes donos de marca ainda dominam, mas cada vez mais os menores produtores e indústrias vêm sendo relevantes na impressão de embalagens. Um bom posicionamento pode ser um diferencial para conseguir clientes nesse mercado. Nos países emergentes, há uma média de 5% ao ano de crescimento na produção de embalagem - caso do Brasil.

A sustentabilidade, claro, está presente, com os objetivos de nos próximos anos reciclar e reutilizar todas as embalagens impressas. E existe o paradoxo da embalagem: nós embalamos os alimentos cada vez mais (por proteção, transporte, marketing, etc), e assim são produzidos cada vez mais resíduos. Por isso entra o pensamento em como fazer embalagens amigas do meio ambiente.

Markus Heering finalizou trazendo um panorama do mercado global de feiras, que devem seguir fortes e relevantes ao redor do mundo, e tirou dúvidas dos participantes, destacando principalmente a relevância de cada empresário entender a sua empresa e assim adotar modelos de negócio inteligentes e eficientes.

Painel sobre sustentabilidade e indústria gráfica

Com o comando da jornalista Tânia Galluzzi, com grande experiência na indústria gráfica, o Painel “Sustentabilidade no futuro da indústria gráfica” contou com Wilson Andrade Paduan, Diretor de Manufatura, Engenharia e Manutenção da Antilhas, e Jose Alberto Peredo Arenas, coordenador de P&D do Grupo Boticário para o segmento de embalagem.

Arenas mostrou o panorama do Grupo Boticário, que abrange diferentes marcas e tem um forte propósito com a sustentabilidade, da matéria-prima à reciclagem, além do pensamento de economia circular engajando toda a cadeia.

São três pilares: ecoeficiência, logística reversa de gestão de resíduos e construções mais verdes. Dentro deles, possui produtos sustentáveis, como os produtos com refil, com uso de material reciclado, embalagens feitas de plástico vegetal - derivado da cana de açúcar, e o uso de embalagens de papel reciclado para proteção e transporte.

Wilson Paduan mostrou as dimensões da sustentabilidade: a ambiental, que é a preservação dos recursos energéticos e ambientais causando o menor impacto possível sobre o meio ambiente; a econômica, pensando que o crescimento econômico precisa ocorrer de forma ética e justa, em harmonia com as outras dimensões; e a social, tendo uma sociedade mais justa e democrática.

Na indústria gráfica, como em cartonagem, conta Paduan, há um esforço muito grande nesse sentido. Há a busca por simplificar as estruturas para facilitar a reciclagem, desenvolver equipamentos e insumos com menor impacto ambiental e ter em suas instalações e no processo produtivo uma maior eficiência energética.

Paduan falou da atuação da Antilhas nesse sentido, com o uso de matérias-primas certificadas, uso e desenvolvimento de tecnologias que reduzem a emissão de gases no meio ambiente, e simplificar as estruturas complexas. São mais de R$ 12 milhões investidos em tecnologias sustentáveis, com diferentes sistemas, tecnologias, equipamentos e novas soluções. Um exemplo foi o desenvolvimento em conjunto com a Braskem para o stand up pouch 100% polietileno, totalmente reciclável.

Durante todo o desenvolvimento de produto, está o pensamento em sustentabilidade, inclusive com os donos de marca olhando para saber o que os fornecedores estão fazendo pelo meio ambiente. Os fornecedores precisam compartilhar essa visão sustentável de longo prazo.

Paduan falou das novas tecnologias para trazer simplificação às embalagens. Um dos desenvolvimentos é a cura por feixe de elétrons, para fazer da embalagem mais sustentável. O especialista citou que a consciência precisa ser completa, desde cada indivíduo até o âmbito governamental, para criar uma ampla cadeia de reciclagem.

Sobre o momento atual, Arenas citou que, mesmo com a pandemia e as dificuldades por ela trazidas, o pensamento sustentável não foi interrompido dentro do Grupo Boticário, e as estratégias de pesquisa, estudos e desenvolvimentos continuaram a ocorrer.

A Antilhas também pegou o momento para acelerar novos projetos de desenvolvimento na área de sustentabilidade, como a instalação de novos equipamentos. Foi o momento de pensar e colocar em prática visões criativas que estavam em estudo.

Pré-impressão em foco

A última palestra do segundo dia do Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica foi com o consultor alemão Dr. Rainer Prosi, arquiteto de fluxo de trabalho na Heidelberg e um dos grandes especialistas globais no pensamento em pré-impressão, um dos principais autores da especificação JDF.

Onde a indústria está indo e o que precisamos de informação para automatizar a indústria? Esse foi o pensamento base da palestra. Rainer mostrou vários termos atuais na indústria, como fábrica inteligente, Big data, inteligência artificial, entre outros. Mas como entender cada um?

Rainer passou pelas fases da indústria como um todo e comparando com a impressão, desde a Impressão 1.0, totalmente manual, depois a Impressão 2.0 com o surgimento de alguns equipamentos de impressão, mas ainda em um processo muito mecânico, mas já com menos trabalho humano e maior eficiência. Na Impressão 3.0, onde estamos agora e quase “saindo” dela, com automação e as primeiras interfaces, como o formato CIP3. Porém, tudo ainda automatizado individualmente.

Na Impressão 3.0, as impressoras e equipamentos são eficientes, mas há pouca comunicação, não há uma grande rede de produção, os passos são otimizados individualmente. E, agora com a Impressão 4.0, há a otimização completa, fábricas inteligentes, robôs por toda parte. E para isso há os formatos XJDF, JDF, PrintTalk, entre outros, tecnologias necessárias para a Impressão 4.0.

Elas já existem há algum tempo, mas agora, diz Rainer, há uma otimização global, ao invés dos passos individuais. Outra grande diferença é que na Impressão 4.0 há não só a fábrica integrada como os clientes envolvidos.

Rainer contou os 20 anos de história do CIP4, associação que encoraja a integração informática de todos os processos que têm de ser considerados na indústria de artes gráficas, em particular a especificação de normas. Isso tem uma relação direta com a Indústria 4.0, mesmo tendo surgido muito antes das conversas sobre essa nova indústria.

O especialista passou pelos padrões e interfaces existentes hoje, das estruturas abertas às fechadas, como XJDF, JDF, PDF e PrintTalk, que possuem palavras-chave bem definidas e possuem uma estrutura otimizada para processamento automatizado. E há alguns padrões que não são de fluxo de trabalho, mas mais voltados à cor, como G7, ICC e Fogra.

Prosi relatou as diferenças entre usar um padrão ou um API de fornecedor. Entre as vantagens do padrão, ele funciona em vários fornecedores, então quando você muda o seu fluxo você pode reutilizar todo o seu padrão.

O especialista fez uma reflexão sobre inteligência e independência das máquinas e serviços. Quem irá tomar as decisões sobre o acerto e os requerimentos ideais: você ou a máquina? Como você pode ter recebido o arquivo do cliente, pode não vir ideal. E quem precisará corrigir? Será que dentro do fluxo de trabalho há um “supercontrolador” que fará todas as tarefas? Qual controle permanece com o operador e qual o papel dele? Tudo isso precisa ser estuado antes de implantar uma gráfica inteligente.

E mais: estamos usando o material impresso inteligente, como QR codes, chips RFID? E como será o envolvimento do cliente nisso? Porque nem todos são especialistas em impressão e muitas vezes o projeto vem com informações insuficientes.

O JDF Job Ticket, então, descreve a produção inteira em um arquivo. Ele define como os processos estarão relacionados e os detalhes de instrução para todo o processo da impressão. Ele não está muito implementado entre os pequenos empresários, e sim entre os maiores players.

Já o JMF/XJMF Messaging é um intercâmbio de dados em tempo real, para o status instantâneo daquele trabalho, passando todos os dados pelas redes. E após 15 anos de experiência com o JDF, foi criado o XJDF. Ele é a simplificação do padrão Job Ticket JDF, tornando mais fácil o uso de JDF simples para aplicações mais simples. Há ainda o PrintTalk, que ajuda na integração do cliente durante todo o processo, do pedido de cotação até a parte de compra, fatura e possíveis mudanças ou atualizações do pedido.

Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica

O Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica está em sua quarta edição e é uma parceria ABTG (Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica) e APS Eventos Corporativos. Pela primeira vez online, acontece nos dias 24, 25 e 26 de novembro. O Patrocínio Institucional é de Afeigraf, Fedrigoni e Papirus. O Patrocínio Gold é da Valid. Informações sobre inscrição e detalhes da programação estão disponíveis no site: www.congressotecnologiagrafica.com.br.