A impressão em MDF na comunicação visual

A impressão em MDF na comunicação visual

A impressão digital trouxe com ela a capacidade da imprimir nos mais diferentes substratos, o que abriu a porta de muitas indústrias para a impressão. Trabalhos antes feitos apenas de forma analógica ou até manual passaram a ter o suporte da impressão digital, que agregou flexibilidade, rapidez e repetibilidade, itens essenciais atualmente.

Entre os substratos que a impressão digital lida com facilidade está o MDF, um painel de madeira reconstituída, produzido por meio da aglutinação de fibras de madeira com resinas sintéticas e aditivos. A placa de MDF pode ser impressa e gerar diferentes materiais, desde quadros decorativos, passando por cenografia e chegando na apresentação em PDV, onde vem sendo muito bem utilizada.

Conversamos com fornecedores de equipamentos que fazem o trabalho de impressão e corte do MDF para saber como está o mercado, os desafios de lidar com o material, onde e como ele pode ser aplicado, e muito mais. Com isso, você terá as ferramentas para agregar mais um material em seu processo produtivo e abrir horizontes de novas aplicações e mercados a se alcançar. Hoje, mostramos a visão dos fornecedores de impressoras. Na próxima matéria, será a vez dos equipamentos de corte. Confira:

Benefícios da impressão digital em MDF

A impressão digital é ferramenta essencial para lidar com MDF, especialmente quando falamos da impressão direta nas chapas. De acordo com Marcos Brambatti, diretor comercial da BR Group, o material possui um custo relativamente baixo que possibilita uma boa qualidade de impressão e acabamento.

Tiago Almeida Barbosa, coordenador de produto da Roland DG, ressalta que a impressão direta na chapa de MDF traz ganhos em tempo, velocidade e economia. “É muito mais rápida e eficiente seja quando comparada à serigrafia (usa matriz ou tela) ou a que imprime no vinil para depois colar no MDF. As cores são ilimitadas, há maior precisão e elimina diversos processos. Caracteriza-se pela secagem instantânea e maior sustentabilidade com redução de desperdícios, uma vez que não utiliza adesivos. Pode ser totalmente customizada de acordo com a necessidade de cada cliente, variando em tamanhos e principalmente em formatos”.

Danilo Ribeiro, gerente de marketing e produto da Mimaki, visualiza um aumento da demanda em impressoras que trabalham com MDF: “Estamos falando de um equipamento com alto custo de investimento, mas que vendemos de 20 a 25 máquinas no ano, então existe sim uma tendência principalmente de se imprimir direto nas bases, para evitar perdas de processo através do envelopamento, pois ao imprimir diretamente na base, logo após a impressão da chapa ela já pode ir para o corte a laser. No caso da laminação, preciso imprimir um adesivo, ter uma secagem para depois fazer o corte. A impressão UV diminui o processo, constando apenas de MDF, tinta UV e corte”.

Os especialistas passaram algumas dicas e conselhos para lidar com o material:

- Tomar cuidado quando a peça já vier cortada no tamanho real da impressão. Deve casar bem o arquivo com a impressão para evitar eventuais deslocamentos. Porém, se for cortada posteriormente, não há nenhum problema ou dificuldade.

- Observar se as chapas estão planas, pois o MDF tende a “encanoar” por conta da umidade.

Preparo do material

O especialista da Roland ressalta que não é preciso um trabalho prévio na impressão. “Caso o MDF seja branco não é necessário usar o cartucho da cor branca, ou seja, há uma economia de tinta nessa situação. Trata-se de uma peça simples, que não requer cuidados especiais”.

Tiago explica que a secagem é instantânea e o diferencial da impressora Roland DG é o acabamento em verniz. “Aconselho aplicá-lo em detalhes de uma imagem, de maneira localizada, e não de forma chapada. Por exemplo, em um nome, uma folha. Agrega maior valor para a peça”, relata.

A BR Group detalha que há chapas de MDF, de qualidade superior e geralmente usadas em móveis, que recebem uma resina de proteção no seu acabamento. Nesse caso específico, a tinta UV pode não ter uma boa aderência em cima da superfície, sendo necessária a remoção da resina através de lixamento ou a aplicação de primes como pré-tratamento antes da impressão. No caso das chapas de MDF sem camadas de proteção, que geralmente são mais baratas, apenas com uma boa limpeza é possível a impressão com ótimos resultados.

A Mimaki também considera que é preciso sempre fazer testes com a tinta UV para não ter variações dentro do processo. “O MDF cru tem a maior aceitação da tinta, e o MDF branco pode ter uma menor aceitação, mas para isso existem primers que ajudam a aumentar a aderência no MDF branco, então é através de testes que você conseguirá definir o caminho. Tenha alguém que entenda de colorimetria para entender os perfis de cor e chegar no resultado que seu cliente precisa e deseja".

O MDF na decoração, comunicação visual e pontos de venda

Brambatti lembra que o mercado de PDV aproveita o MDF como móbiles, balcões de atendimento, mostruário de produtos, ilhas de campanhas para demonstração ou exibição de produtos. Nos pontos de venda, pode-se agregar móveis e mostruários de produtos personalizados que possibilitam uma comunicação eficiente e de qualidade.

Tiago Barbosa considera que o MDF destaca o produto exposto e valoriza o estabelecimento: “O aspecto orgânico do MDF, que remete a uma proximidade com a natureza, é uma excelente opção para atrair clientes. Pode mesclar outros materiais, como acrílico e alumínio. Além disso, permite que se trabalhe em peças dos mais variados formatos, sejam os tradicionais ou projetos personalizados, com curvas, recortes e detalhes diferenciados. Isso sem falar, obviamente, no fato de que possibilita a impressão direta em sua superfície”.

O especialista da Roland prossegue: “As aplicações são inúmeras, praticamente infinitas, tanto para comunicar, quanto para decorar ou até presentear. Incluem trabalhos artesanais, pen drives, produtos com apelo ecológico, quadros, brinquedos educativos. Em comunicação para fins comerciais, a impressão digital em MDF pode ser utilizada em displays e totens, para atrair a atenção dos clientes em feiras, eventos, supermercados e lojas de shoppings. Em decoração para fins artísticos, vale citar a utilização para cenografia em geral, festas temáticas e eventos de empresas. Outra aplicação em decoração são os quadros. A máquina digital simula obras artísticas em pinturas belíssimas para decorar residências e comércios. Um substrato em princípio simples, de baixo custo, e que confere ao final um enorme valor agregado. Quando se coloca a imagem na superfície da chapa muda completamente o perfil do produto. Em resumo, um excelente negócio”.

O MDF, reforça Danilo Ribeiro, se encaixa em tudo, em qualquer lugar que queira se ter visibilidade de marca e também dentro do mercado de decoração, pois é possível fazer quadros de MDF com bastante qualidade, principalmente usando o MDF pardo.

Equipamentos

Todas as empresas citadas na matéria estão com presença confirmada na FESPA Digital Printing 2020, de 18 a 21 de março no Pavilhão Azul do Expo Center Norte, em São Paulo. Será possível ver ao vivo e em funcionamento equipamentos para os mais diversos fins, como a própria impressão em MDF. Confira o que cada fornecedor possui para a impressão em MDF.

A linha VersaUV LEF da Roland DG tem três modelos de impressoras de mesa. A LEF-12, com dimensões de impressão de 300mx288m, a LEF2-200 (508mmX330mm) e a LEF300 (700mmx330mm). Em todos os casos o foco é para a linha artesanal e brindes corporativos, como chaveiros em MDF, pen drives, canetas de madeira, brinquedos educativos, enfim, para imagens e peças menores.

A Roland também possui equipamentos voltados para grandes formatos com 1,63m de altura e capacidade para imprimir em placas de até 12kg. Trata-se da LEJ-640, utilizada, principalmente, em pontos de venda. As aplicações são inúmeras como displays de feiras, itens de decoração de interiores e até aqueles painéis em formato de bonecos de super-heróis como, por exemplo, o Homem-Aranha. Imprime e depois o corte a laser faz o contorno.

A BR Group possui vários equipamentos, formatos e configurações para impressão em MDF, como a Firejet Jet Star, uma mini UV flatbed com área de impressão de 60 x 90cm e a Firejet Jet Legacy, uma cama plana com área de impressão até 3,20 x 2,00m.

A Mimaki ressalta que, especificamente para MDF, qualquer equipamento da linha que seja de cama plana tem a capacidade de gerar uma impressão. “A impressora mais indicada para o PDV é a de 1,30x1,50 que me parece ser o equipamento mais interessante ao PDV pelo tamanho e por conseguir criar formas humanas. Nela, consigo imprimir diretamente no MDF. O equipamento trabalha com até seis cores de impressão, então pode fazer o trabalho de cromia, branco e verniz. Há flexibilidade de trabalhar com MDF cru, na qual posso usar reservas de branco e ter o próprio pardo do MDF como cor ou posso chapar o MDF todo de branco ou usar ele branco. Algo legal é usar o verniz localizado, com reservas de verniz em determinados pontos na impressão”.

 

E você, já produziu algum item em MDF usando a impressão digital? Como a matéria mostrou, há mercados em que esse uso está crescendo e, sem dúvidas, é uma opção que trará muita lucratividade para a sua empresa. Ofereça esta possibilidade para os seus atuais clientes para também usarem o MDF e outros substratos diferenciados, e busque novos clientes e nichos de mercado que necessitam dessa capacidade. Aproveite e visite a FESPA Digital Printing, principal feira de impressão digital do país, de 18 a 21 de março de 2020, no Pavilhão Azul do Expo Center Norte, em São Paulo, para se inspirar e fazer os melhores negócios. A inscrição para visitação está aberta em: www.fespabrasil.com.br/pt/visitar/cadastro.