Sustentabilidade deixou de ser apenas um selo bonito e tornou-se um pilar estratégico de sobrevivência e valor agregado no mercado gráfico e de embalagens. Esse foi o foco do 14º episódio do podcast PRINT LIVE, gravado na ExpoPrint, que debateu como as empresas estão superando o greenwashing para adotar métricas reais de ESG.
O host Tiago Ferraresi reuniu um painel de especialistas para discutir essa transição: Pâmela Siqueira (diretora da Carton Pack e integrante do movimento Mulheres de Impressão), Elen Nunes (fundadora do Conecta Verde) e Jorge Maldonado (especialista em impressão e sustentabilidade).
Durante o debate, Pâmela Siqueira provocou uma reflexão necessária sobre a complexidade do tema: muitas empresas falham ao tratar o ESG apenas como uma coleção de números genéricos, sem conectar essas métricas ao propósito real do negócio.
Para ela, a chave está em transitar da "filosofia da sustentabilidade" para a aplicação prática baseada em métricas sólidas, assumindo que não é possível ser perfeito em todos os pilares (Ambiental, Social e Governança) simultaneamente, mas que a jornada é inegociável.
O papel da educação e da transparência
O consenso na mesa foi claro: não há sustentabilidade sem educação, tanto interna quanto externa. Elen Nunes, do Conecta Verde, destacou que a cadeia produtiva precisa ser protagonista na educação do consumidor final. Muitas vezes, o consumidor é cobrado pelo descarte incorreto, mas a informação sobre como e onde reciclar um material simplesmente não chega até ele. "Os brand owners têm um papel fundamental nessa educação, inclusive em ampliar a informação qualificada para que os consumidores possam descartar corretamente".
ESG e a maturidade do setor no Brasil
Jorge Maldonado trouxe a visão institucional da Afeigraf, destacando que o Brasil evoluiu em maturidade técnica nos últimos anos. O país, referência global em biodiversidade por meio de seus reflorestamentos certificados (como o FSC), está elevando o rigor em protocolos de emissão de carbono. Maldonado adiantou que o setor caminha para ferramentas inéditas de cálculo de carbono, visando trazer dados concretos para a indústria.
Pontos-chave do episódio:
- Valor agregado: a sustentabilidade precisa ser comunicada de forma transparente. Selos só possuem valor se forem auditados por terceiros idôneos e se o consumidor final compreender o benefício por trás da certificação.
- Responsabilidade compartilhada: não basta imprimir em papel certificado se o destino final da embalagem não é sustentável. Conectar-se com cooperativas e entender o ciclo de vida do resíduo é um diferencial estratégico.
- Estratégia, não custo: o painel reforçou que reduzir desperdícios e otimizar insumos não é apenas uma obrigação ambiental, mas um motor de rentabilidade econômica que sustenta o negócio a longo prazo.
O episódio reforçou que o mercado brasileiro, longe de ser obsoleto, está liderando debates importantes sobre circularidade e consciência produtiva. A íntegra do debate, que destaca o papel crucial das associações como a Afeigraf e movimentos como o Mulheres de Impressão, já está disponível no YouTube:
Redação FESPA Brasil
Equipe editorial dedicada a cobrir as principais novidades do mercado de impressão digital, sinalização e comunicação visual no Brasil e no mundo.