As mulheres e a evolução do mercado de envelopamento

As mulheres e a evolução do mercado de envelopamento

Não há dúvidas que o mercado de envelopamento vem crescendo a passos largos nos últimos anos, evoluindo em qualidade e profissionalização. Em um espaço que era amplamente masculino, o quadro vem mudando recentemente e cada vez mais mulheres aparecem como envelopadoras profissionais, trazendo mais evolução para este mercado.

A FESPA Digital Printing conversou com Marcela Metric, diretora da WrapTools, empresa que é distribuidora oficial da Avery Dennison no Brasil. Ela vem promovendo iniciativas para trazer cada vez mais mulheres no envelopamento e fazendo com que elas apareçam nesse cenário com seus trabalhos de qualidade. Confira os principais pontos da entrevista:

A WrapTools

“Criamos a Wraptools recentemente e em apenas três meses tivemos grandes realizações. Além das ferramentas para envelopamento em comunicação visual que produzimos com nossa marca Metric, trabalhamos exclusivamente com o adesivo cast de alta qualidade Avery Dennison.

Panorama do mercado de envelopamento

“O mercado de envelopamento é muito promissor, mas as pessoas ainda estão presas apenas na parte de envelopamento automotivo. A parte de decoração é infinita. Imagina você pegar sua casa ou apartamento e transformar completamente com adesivo. Anos depois, quando cansar da cor, é só tirar tudo e trocar o adesivo por outro. É um mercado que está crescendo e segue em alta.

As mulheres no envelopamento

“Quando entrei no mercado, queria ter propriedade. Eu falo a língua deles para eles me respeitarem, e eles me respeitam demais.

Em feiras e eventos, sempre via as mulheres dos envelopadores. Quando planejei um workshop em Belo Horizonte, falei que queria ter mulheres participando. As próprias pessoas do mercado encontraram algumas. Normalmente as esposas dos próprios envelopadores. E reunimos 10 meninas.

Quando postei a propaganda do Girl Wrapper, apareceram muitas e percebemos que há muito mais envelopadoras mulheres do que imaginávamos. Quero que elas mostrem a cara e invadam o mercado.

As mulheres já sofreram muito preconceito. Mesmo as envelopadoras mais conhecidas passaram por isso, com homens que olham para elas e falam “vocês vão mexer no meu carro?”. E as mulheres vêm conquistando espaço aos poucos.

Há muitas mulheres que trabalham com o marido. Seja fazendo as artes ou até mesmo ajudando na prática, fazendo o envelopamento. Mas muitas ficam “na sombra”, então eu quero que elas apareçam também.


N.E.: A Avery Dennison fez um vídeo de como foi o workshop. Confira:

 

Aprendizado

“Tem muita gente entrando (no mercado) e também pessoas preocupadas em se atualizar no que já fazem. Há muitos cursos de envelopamento, as próprias fábricas são empenhadas em ensinar o mercado, que tem mais gente nova. A pessoa que deseja entrar tem que se especializar. Não pode entrar de paraquedas, tem que estudar mesmo, não pode parar.

Valorize seu trabalho!

“A gente vem de um mercado da comunicação visual, que não pensa em melhorar o mercado. Pelo contrário. Na época do ACM, que era usado exclusivamente na construção civil, custava caríssimo. Quando caiu na mão da comunicação visual, eles foram diminuindo a espessura para ficar cada vez mais barato.

O mercado precisa entender que temos que evoluir, e não regredir. Não pensar em mais barato, mais barato. Sair da guerra do preço. Quem vai atrás só de preço, não vai encontrar qualidade.

No meu workshop, não falo só do produto, falo do mercado em si. Falo de preço, concorrência, que ele não precisa entrar em concorrência por conta de centavos, saber a hora de sair e não vender.

Quase quebrei com o pensamento de deixar o cliente escolher o valor do meu produto. E comecei a me impor. Foi difícil no começo, mas depois eles começaram a comprar, porque viram a qualidade do material e a relação com o preço.

Procure sempre ter o melhor para oferecer ao cliente. Se todos vendem a mesma coisa, o cliente vai fazer leilão. É preciso estar sempre pensando no diferente. Estou sempre em busca do novo.

Workshops como evolução do mercado

“Começou em parceria com a Mimaki em Belo Horizonte, com máquina imprimindo e a gente apresentando o vinil, mostrando que pode-se imprimir e fazer a aplicação na hora. Agora quase toda semana tem workshop, que percorre o Brasil todo.

O que eu quero? Eu vou no envelopador e falo que quero fazer um workshop. Eu quero mostrar o produto para o seu concorrente. Por quê? Eu quero nivelar o mercado para cima. Eu quero que a sua concorrência vá também para cima. Se todos estiverem cobrando corretamente, ninguém vai no mais barato porque vão começar a desconfiar.

Vamos cobrar o preço justo, vamos nivelar para cima, não para baixo. O envelopador precisa se valorizar para ser reconhecido. Comecei a ganhar dinheiro quando eu me posicionei dentro do mercado. Se aceitar que se coloque preço no seu trabalho, você nunca vai ter valor. Se posicione!

Não venda metro quadrado, venda um projeto bem executado!

Uso de ferramentas e vinil como proteção

“O mercado vem evoluindo, não é um simples adesivo como era antigamente. Hoje os adesivos são mais evoluídos. Para um carro, por exemplo, há inúmeras ferramentas.

O correto é entender que para cada superfície existe seu adesivo e sua ferramenta. Para a criação, nos espelhamos no que os envelopadores necessitam, inclusive pegando o feedback e ideias dos próprios envelopadores. O envelopamento é uma forma de proteger seu carro ou o que for envelopado, desde que se utilize o material correto.

Projetos futuros

“O projeto futuro é fazer o credenciado Avery Dennison, algo inédito no Brasil. O envelopador vai fazer curso na própria Avery. Não é um certificado, é um credenciamento. E isso tem um peso muito grande para o mercado”.