Produção de vestuário e tecnologia digital - combinação vencedora para recuperação dos negócios pós-pandemia

Produção de vestuário e tecnologia digital - combinação vencedora para recuperação dos negócios pós-pandemia

Por Graeme Richardson-Locke

Assim como outras indústrias, o mercado de impressão têxtil tem dado passos significativos no sentido de adotar novas tecnologias focadas em atender as demandas de uma nova geração de clientes. As marcas de vestuário já estavam refinando suas ofertas e as cadeias de suprimento estavam evoluindo para servir de forma mais eficiente os clientes que gostam de fazer tanto compras online como em lojas físicas. O futuro parecia particularmente brilhante para os impressores têxteis que já estavam prontos para abraçar novas possibilidades, especialmente as oferecidas pela tecnologia digital.

Então a crise do coronavírus aconteceu, impactando o varejo em sua essência, com tremores secundários sentidos na cadeia de suprimento da moda e na força de trabalho em todo o mundo. Mas a verdade é que, com a pandemia, houve uma aceleração e intensificação de mudanças disruptivas na indústria de moda e vestuário que já estavam em andamento.

O mercado fashion já estava passando por seu próprio processo de transformação digital, mas agora as circunstâncias ditaram que os novos modelos de negócio precisam ser adotados com maior rapidez. Resposta ágil, adaptação flexível e velocidade de execução não são mais estratégias exclusivas para empresas iniciantes e pequenas marcas de vestuário, mas requisitos de negócio essenciais para a sobrevivência.

Feito de forma correta, o modelo de negócio digital pode destravar um potencial radical de crescimento dos negócios, e é este o motivo pelo qual um mindset digital é provavelmente a primeira parada na estrada para a recuperação para a maioria das empresas. Isto é especialmente relevante para companhias operando em têxteis de moda, incluindo impressoras de vestuário.

Comparas online

O grande volume de pedidos online durante o lockdown sinaliza uma aceleração na compra online. Por exemplo, de acordo com o Business Insider, durante o lockdown no Reino Unido, a demanda online por camisetas, camisas, blusões e derivados aumentou 167% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Este tipo de macrotendência coloca novas pressões na cadeia de fornecimento para serem muito mais ágeis, e para adaptar dinamicamente os volumes de fabricação e níveis de estoque às mudanças repentinas nos padrões de compra online. Por sua vez, isto expõe as falhas nos modelos de fabricação e armazenamento tradicionais, e destaca as substanciais vantagens comerciais das baixas tiragens, entrega na hora e fabricação puramente sob demanda usando os processos digitais.

Se as marcas de vestuário estão se adaptando a estas tendências de compra e minimizando os riscos inerentes às suas cadeias de fornecimento, há duas áreas principais em que eles precisarão investir: automação e nearshoring (uma terceirização com aproximação geográfica). Nas décadas recentes, quando falamos em entregar produção em massa, a indústria global de vestuário tornou-se predominantemente dependente de fontes asiáticas de baixo custo.

Com a pandemia global expondo as falhas no off-shoring (ou seja, uma terceirização com grande distância geográfica), e mais clientes esperando entrega no dia seguinte de compras customizadas, marcas fashion estão provavelmente olhando para o neashoring como uma alternativa preferível. Enquanto isso, a implantação de soluções totalmente automatizadas e prontas para o mercado, para os principais estágios da cadeia de valor (impressão, corte e costura), pode garantir que os prazos de entrega sejam curtos e eficientes.

E o impacto da crise no varejo convencional provavelmente vai acelerar a adoção de ferramentas digitais como aplicativos de prova 3D, vestuários virtuais e design personalizado, já que as marcas de moda buscam melhorar a experiência de compra por meio das telas de nossos smartphones. Isto irá intensificar ainda mais a transformação digital, provocando aumento da demanda por customização e personalização em massa.

Aqui, a impressão digital direta no vestuário (DTG) tem um papel vital a desempenhar, já que a capacidade de imprimir apenas uma ou centenas de peças de roupa com diferentes designs usando um único dispositivo de produção, oferece uma série de novas possibilidades de negócio para impressores de vestuário capitalizarem.

Como é o caso na maioria das indústrias experimentando disrupção digital e rápido crescimento, a concorrência será forte. Isto inclui impressores que não operam tradicionalmente na indústria de tecido buscando diversificar em soluções DTG, assim como uma geração de companhias nativas no digital que tem suas raízes no comércio eletrônico. O modelo de negócio está pronto para os novos e o sucesso vai depender da habilidade de cada empresa de atender as necessidades e expectativas dos compradores, oferecendo qualidade consistente, produtos únicos, processos de pedidos sem falhas e entrega super rápida e eficiente.

Fonte: FESPA.com