Se a sua gráfica ainda mede o sucesso pelo volume de grandes tiragens ou enxerga o estoque como um ativo seguro, a sua mentalidade comercial pode estar defasada. Este foi o debate central do 16º episódio do podcast PRINT LIVE, gravado diretamente nos pavilhões da ExpoPrint, trazendo à tona as oportunidades lucrativas geradas pela impressão sob demanda e pela flexibilidade produtiva.
O host Tiago Ferraresi conduziu um painel dinâmico focado em inovação ao lado de Raymond Trad (CEO da Comprint), Karen Nakamura (gerente de marketing da Konica Minolta) e Alexandre Crepaldi (CEO da ArteMídia).
A quebra de paradigmas e a flexibilidade do digital
O debate destacou que a impressão digital deixou de ser um nicho exclusivo para tiragens minúsculas. Raymond Trad explicou que o mercado mudou drasticamente com a explosão de SKUs em segmentos como o de rótulos e etiquetas. Onde antes se rodavam milhares de cópias de um único arquivo, hoje os convertedores lidam com dezenas de variações fracionadas.
O avanço de equipamentos de ponta permitiu atingir velocidades comparáveis às tecnologias tradicionais, oferecendo simulações precisas de escalas Pantone e suportando recursos como a aplicação de tinta branca e prata.
Trazendo a experiência real do chão de fábrica, Alexandre Crepaldi, pioneiro na área desde 1994, quando o mercado ainda não levava o digital a sério, revelou o trunfo por trás do modelo de negócios da sua marca.
Com mais de 2.000 SKUs ativos para produtos como cadernos, agendas e planners, a ArteMídia opera com estoque físico zero de produtos acabados. O produto só é produzido a partir do momento em que o pedido entra na plataforma via Web-to-Print.
Pelo lado industrial, Karen Nakamura destacou que a Konica Minolta foca em aliar a robustez e a automação do hardware a serviços de pós-venda estruturados, exemplificados pelos contratos de clique. Essa segurança operacional permite que os operadores extraiam o máximo de mídias e substratos especiais.
O grande papel do mercado hoje é educar os clientes e agências de marketing sobre as possibilidades de enobrecimento e valor agregado que o digital oferece (como vernizes, texturas e relevos), fugindo da guerra de preços de commodities.
Mensagens-chave do episódio:
- Complementaridade: o digital não veio para extinguir o offset ou o flexo, mas para atuar como um aliado estratégico na composição de um parque gráfico moderno e versátil.
- Mão de obra e automação: graças a softwares que calculam sozinhos o melhor aproveitamento de mídia e dados variáveis, a operação de máquinas digitais tornou-se extremamente amigável, reduzindo o gargalo da falta de mão de obra altamente especializada.
- Ousadia de inovar: o painel encerrou falando para os gráficos a abrirem a cabeça para novos canais B2C e plataformas digitais. Como resumiu Raymond Trad usando uma analogia marcante de um cliente: "Cabeça é que nem paraquedas, só funciona aberto. Não tenha medo de fazer diferente".
O episódio completo, repleto de lições valiosas sobre otimização de processos, dados variáveis e inteligência de mercado, já está disponível no YouTube:
Redação FESPA Brasil
Equipe editorial dedicada a cobrir as principais novidades do mercado de impressão digital, sinalização e comunicação visual no Brasil e no mundo.