A impressão 3D consolidou o seu papel como protagonista na indústria cinematográfica. Em Wildwood, o mais ambicioso longa-metragem do estúdio de animação norte-americano LAIKA (conhecido por sucessos como Coraline e ParaNorman), a impressão 3D foi o pilar técnico para viabilizar a expressividade dos personagens.
Ao todo, foram produzidas mais de 142.000 expressões faciais personalizadas por meio da tecnologia de impressão 3D multicolorida!
Na animação em stop-motion, os movimentos ganham vida a partir de alterações físicas fotografadas quadro a quadro. Para fazer os personagens falarem e demonstrarem sentimentos como medo, tristeza ou ternura, o estúdio utiliza a técnica de "animação de substituição".
Em vez de esculpir ou mover o rosto manualmente a cada tomada, os animadores substituem a placa facial do boneco por uma nova peça impressa em 3D - o que pode exigir até 24 rostos diferentes para apenas um segundo de filme.
Impressoras Stratasys J750 e J850
Para dar conta dessa escala monumental sem perder a precisão milimétrica, o estúdio contou com impressoras 3D Stratasys J750 e J850, equipadas com a tecnologia PolyJet.
A Comprint representa a Stratasys no Brasil e é expositora confirmada da FESPA Digital Printing 2027!
Na produção em stop-motion, qualquer desvio mínimo de tonalidade ou imperfeição na superfície entre uma peça e outra gera um efeito de "cintilação" (flickering) imediatamente perceptível na tela do cinema.
Os sistemas multimateriais da Stratasys permitiram depositar microgotas de resina fotopolimerizável com altíssima resolução, garantindo transições suaves de tons de pele, texturas e encaixes mecânicos exatos em peças de dimensões reduzidas. Além das placas faciais, a manufatura aditiva foi empregada na criação de armaduras internas e estruturas de musculatura dos bonecos.
Cuttlefish
O elo entre a criação artística digital e a impressão da Stratasys foi o Cuttlefish, um avançado driver e software de fatiamento (slicer) para impressão 3D colorida desenvolvido pelo instituto alemão Fraunhofer IGD.
O Cuttlefish traduz os modelos digitais da LAIKA - incluindo todas as informações ópticas de cor, translucidez e textura - diretamente em dados otimizados de impressão (voxels). Para Wildwood, o Fraunhofer IGD implementou melhorias específicas no software voltadas ao aumento da nitidez de texturas, otimização de superfície e gerenciamento de cores. A parceria entre a LAIKA e o Fraunhofer IGD começou há cerca de dez anos.
Wildwood em números
Baseado no romance de fantasia escrito por Colin Meloy e ilustrado por Carson Ellis, Wildwood levou 16 anos para sair do papel. Quando o diretor e CEO da LAIKA, Travis Knight, adquiriu os direitos da obra em 2011, a tecnologia de stop-motion e impressão 3D da época ainda não era avançada o suficiente para sustentar a escala épica da história.
Os números gerais da produção refletem a grandiosidade do projeto:
- Mais de 142.000 expressões faciais impressas em 3D em cores (Stratasys J750 e J850 + software Cuttlefish);
- Até 24 rostos impressos utilizados por segundo de animação;
- Mais de 230 bonecos práticos (puppets) construídos e articulados manualmente, alguns com dispositivos internos que simulam a respiração;
- 136 cenários físicos construídos em escala real para os bonecos - muitos deles grandes o suficiente para que os próprios animadores caminharem por dentro;
- Mais de 5 anos dedicados exclusivamente ao trabalho de animação física e efeitos visuais, envolvendo mais de 1.000 artistas e uso zero de inteligência artificial generativa.
Wildwood é a prova que a impressão digital 3D não substitui o trabalho artesanal, mas atua como a ferramenta perfeita para expandir os limites da arte física e do gerenciamento de cores tridimensional.
Para ver detalhes visuais das centenas de peças e bonecos criados manualmente pela equipe nos bastidores, confira a reportagem em vídeo (em inglês) sobre como o filme em stop-motion Wildwood da LAIKA desafia a IA, que mostra de perto a dimensão do trabalho prático no estúdio.
E, abaixo, você vê um Shorts mostrando como funciona a impressão 3D no filme:
Redação FESPA Brasil
Equipe editorial dedicada a cobrir as principais novidades do mercado de impressão digital, sinalização e comunicação visual no Brasil e no mundo.