Impressão: a estrela do álbum da Copa

Fábrica da Panini, em Barueri (SP), é hoje o epicentro de uma megaoperação gráfica que abastece o Brasil e a América Latina

Impressão: a estrela do álbum da Copa

Nos bastidores da paixão nacional por colecionar figurinhas da Copa do Mundo, existe uma engrenagem industrial complexa operando a todo vapor. A fábrica da Panini, em Barueri (SP), é hoje o epicentro de uma megaoperação gráfica que abastece o Brasil e a América Latina com a capacidade de impressionantes 11 milhões de figurinhas impressas diariamente.

Para quem atua na linha de frente do setor de impressão e embalagens, os números da edição de 2026 - que bateu todos os recordes com 48 seleções estruturadas em 112 páginas - são uma aula de alta produtividade em offset.

O projeto contempla 980 cromos no total (sendo 20 espaços por seleção), distribuídos em envelopes de 7 cromos. Mas como a mágica da produção acontece no chão de fábrica?

As figurinhas

A imensa maioria das figurinhas é impressa em papel couché autoadesivo. Sendo um substrato poroso, ele absorve a tinta offset com extrema facilidade, o que permite que as máquinas rodem em velocidades industriais, garantindo o volume que o mercado exige.

No entanto, o espetáculo técnico fica por conta das 68 figurinhas especiais. Elas exigem uma base de filme plástico metalizado ou holográfico (BOPP/PET). Por não possuírem porosidade, a gráfica precisa utilizar tintas de cura UV, que secam instantaneamente sob a luz ultravioleta. É essa adequação de processo que preserva o brilho espelhado característico no fundo e evita borrões durante a alta velocidade de impressão.

Após impressas em folhas gigantes e rigorosamente cortadas, as figurinhas são enviadas para esteiras mecânicas. Ali, a matemática acontece: o algoritmo rigoroso de mistura garante a distribuição randômica, evitando pacotes repetidos na mesma caixa.

O envelopamento final é feito pelo sistema flow pack em altíssima velocidade. Vale destacar que, embora o maquinário flow pack seja tradicionalmente famoso na selagem de embalagens plásticas, ele também sela com perfeição os novos pacotinhos de papel adotados para a coleção da Copa.

Fenômeno de vendas

O reflexo dessa eficiência industrial na ponta comercial é estrondoso. Apenas em uma plataforma de delivery (iFood), em menos de um mês (30 de abril a 27 de maio), foram vendidos 6,7 milhões de itens entre álbuns e envelopes.

Só com os pacotinhos a R$ 7, o volume movimentou R$ 46,9 milhões em poucas semanas, além de a plataforma ter batido o recorde de evento de troca de figurinhas, reunindo presencialmente mais de 2,5 mil colecionadores na cidade de São Paulo.

Porém, o gigantismo da operação acende um alerta: o resíduo que mais preocupa não é a figurinha em si, mas o liner (aquela película de papel siliconado que é descartada no momento em que se cola o cromo).

A fina camada de silicone aplicada no liner age como um retardante extremo, impedindo a reciclagem convencional. Em aterros sanitários, esse papel leva até 100 anos para se decompor. Para se ter ideia do passivo ambiental, apenas aquelas vendas milionárias no delivery geraram, quase que instantaneamente, 11,7 toneladas de papel liner indo direto para o lixo.

A reciclabilidade desse material ainda é uma barreira severa. A separação química do silicone é cara, faltam cooperativas preparadas com infraestrutura no Brasil e as campanhas de logística reversa, embora existam e sejam louváveis, ainda representam uma fração minúscula frente à montanha de resíduos gerada a cada novo ciclo de Copa.

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